16122011

Meu samba hoje chorou.
Ignorei a lágrima que escorria
larguei a alma em cima da cama
e corri para os braços
daquele que me esperava.

Fechei os olhos
sussurrei em seu ouvido
palavras sem tradução
audíveis apenas para ti.

Meu samba chorou.
De felicidade pela volta
de amor pela busca
de dor pela luta.
Chorou em mim.


“He knows so much about these things”

05102011

não me diga que vai desistir mais uma vez.
não dessa vez.
não comigo.

aquele último cigarro que apaguei quando vi você indo embora me fez lembrar das cansativas tentativas de te ter aqui comigo, e agora ele foi o último porque quero todo o tempo que me resta com você. Depois desses tantos anos diluindo meu corpo em tóxicos e nicotina, finalmente encontrei a cura, ou o prolongamento por mais alguns dias da minha vida. finalmente vou respirar o ar que me cercava e eu não sentia. finalmente vou poder correr atrás de você e te abraçar e esperar você me levantar e me girar no ar como uma criança boba. Ah como esses dias serão bons. mas não quero pensar muito mais à frente do que está por vir. posso acabar esse cigarro e morrer no minuto seguinte, posso deitar, fechar os olhos e não acordar nunca mais pra ver de novo seus olhos focados em mim, sua mão acariciando a minha pele gasta ou sua barba roçando em meu pescoço frio. não. não pensarei em nada disso. só vou pensar no que vejo e sinto agora: você indo e eu na espera da sua volta.

uma definição...

“Nobody has ever measured, not even poets, how much the heart can hold.” - Zelda Fitzgerald
Midnight in Paris with you my bud

Vivendo aventuras
escapando ao vento
esquecendo o passado
curtindo o momento

deixar de lado
silencio violento
o que antes se cala
o que agora se vai
o que a vida prepara

rumos traçados
o aqui, o depois
o de vez em quando
o uso

desuso, iludo
maldito caminho escuro
sons confusos vida curta

o tempo encurta
o curta metragem
no qual nossa vida se transforma

adiantei o relógio
mas não conti o atraso.

Escrevo menos
Penso menos
Ouço mais…

Fito assim você me olhando, eu sem graça desvio o olhar por hábito, não por querer. Podia ficar uma vida a olhar para a íris castanho claro… o Johnny na minha vitrola toca sempre, às vezes engasga (um risco ou outro ali), mas a voz, a essência continua contemplando as paredes mal cuidadas do meu quarto. São jogadas assim mesmo essas palavras, mente confusa… poderia deixar as músicas falarem por mim como sempre faço, mas já me encontro em um certo ponto onde o medo não segue mais tão forte…

é bom te ver sorrir… 

05062011

Do desejo insaciável do ser
da carne
da pele
do lábio.

Fito você na mesa de bar, de frente pra mim, o olhar perdido, as mãos bobas. A olhada de canto de olho que me persegue e desvia para a garrafa pela metade, para a mochila no chão, para o meu olhar novamente. E assim fica. Puxa papo, me diz algo no ouvido. Eu rio. Você observa. O tempo parece parado em nossa mesa, só o que resta são as pessoas rindo ao nosso lado, caindo bêbadas na rua. Mas nosso momento é ali. Só nosso. Só meu. Só seu. E em um segundo meu de distração… a mão no meu rosto, os lábios nos meus lábios…

…o beijo.

Era só com você que queria dividir minhas palavras em forma de versos e estrofes sem sentido algum. Era com você que queria estar naquele dia chuvoso, aqui do meu lado no edredon, cruzando os pés, sentindo a pele e a face e o seu cheiro adentrando minhas narinas. Era você quem ia rir do meu comentário estúpido sobre o filme qualquer que estaria passando na tv, porque pra mim tanto faz, eu estaria ali com você e só isso importaria naquele momento… 

 Sendo sincera comigo percebi o que me faz falta…

Costumava dizer que se um dia você fosse embora pra longe de mim eu nem choraria

Será que você sabia que era só brincadeira boba de menina e que na verdade tem um amor tão grande que não sabe o que fazer com ele?

Sabia?

Era tão lindo ver você me abraçar e, sem falar nada, conseguir me fazer tão bem.

Guardei uma blusa sua no meio das minhas roupas
E a lembrança da sua pele tocando a minha…


Escrito em 29/04/2010 - colaboração de Elize Lima